sexta-feira, 12 de junho de 2009
VILAS VOLANTES - Palavras sopradas
quinta-feira, 4 de junho de 2009
A PESSOA É PARA O QUE NASCE - A luz de quem vive na escuridão
A pessoa é para o que nasce ...

A mais nova da irmãs recebeu as graças de uma marca. Marca da fonte da vida, a água. Chama-se Indaiá. Já Poroca (Conceição) é o nome que se apegou a mais velha. Todas são retratadas num belo documentário que desnuda um cotidiano simples de três mulheres-guerreiras da vida da Paraíba. Com o filme, se tornam aquilo que não podem ver. Luz, estrelas de cinema. O que lhes traz muita alegria. Ingenuidade nas palavras, nos pedidos, nas histórias. Fazem de Maria, Conceição e Indaiá pedaços firmes-leves da cultura popular nordestina brasileira.
A nudez que fecha o filme talvez queira transmitir a pureza escondida nos corpos que sequer podem ver. As cores, as formas e a malícia dos homens. Justa e célebre homenagem de Berliner às irmãs, à cultura.

segunda-feira, 1 de junho de 2009
Junho: Nordeste no Cine Fa7
São várias as dificuldades encontradas para os que, na região tentam produzir seus vídeos, documentários e filmes de curta,média e longa metragem. Mas apesar dessas barreiras, muito é feito por aqueles que "com gosto de sangue na boca" se arriscam a produzir, tendo muitas das vezes que arcar com os próprios custeios de produção e edição dos projetos. E no Ceará a situação não é menos preocupante, há vários anos vem-se tentando fortalecer o movimento no estado, à base de muita força de vontade e atenção do governo do estado.
Para este mês, em que pretendemos mostrar um mínimo do que já foi feito por nossos diretores teremos três visões diferentes: à partir do Ceará, com o premiado diretor Alexandre Veras e suas Vilas volantes- o verbo contra o vento (10/6) , trazendo uma mostra de como as histórias são repassadas oralmente pelos mais velhos. A pessoa é para o que nasce (3/6), traz uma visão iluminada de três irmãs cegas da Paraíba que, com muito talento, demonstram a vontade de viver através da música. Viva São João é um típico "documentário/clipe" em que Gilberto Gil vive aquele sujeito que já não sabe mais como ser nordestino e observa "de fora" aquilo que já não possui, a nordestinidade.
São por esses e outros motivos que o Cine FA7 encerra suas atividades no semestre com este tema tão rico e sedutor. Para os que vão às sessões, o certo é que não se arrependerão, pois estarão vivenciando a cultura de sua terra, de suas raizes através dos três documentários que encherão os olhos do seleto grupo que acompanha o Cine FA7 toda quarta às 11h na sala 53B.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
GUATANAMERA - A solução para o percurso dos mortos, em clima de amor
A comédia romântica, traz como enredo principal o sistema burocrático presente
Para o azar do marido, o ex-aluno, que já mantinha um afeto declarado em carta entregue a professora, balança com a mulher. Ela, reprimida pelo esposo, em gestos, vícios e vida, resolve desvencilhar-se de tais algemas. Tudo isso acontece na travessia que percorre Cuba de uma ponta a outra. Para mostrar que seu novo sistema de transporte de falecidos é eficaz, o funcionário resolve ele mesmo testar, utilizando-se para isso, da morte da tia de sua mulher. Essa tia por sua vez, uma cantora famosa internacionalmente, havia voltado para o amor que a esperara por quase meio século. No momento do reencontro, as emoções povoadas de boas lembranças abatem seu coração. E com isso inaugura o sistema de transportes do marido da sobrinha. Toda a trama é regada pela ondulante trilha que dá nome ao longa. Entre graças e beijos cubanos, o clima de romance e aventura abobalhada se entremeiam.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
A ROSA PÚRPURA DO CAIRO - A metalinguagem de Woody Allen
O filme A Rosa Púrpura do Cairo de Woody Allen é uma comédia no mínimo surreal. Mais do que isso, nos leva a crer na perspectiva de realidade que o cinema pode introjetar em nossas vidas. A cina de uma simples garçonete (Cecilia), interpretada por Mia Farrow que sofre com seu marido, se transforma em um verdadeiro sonho a partir do momento em que o personagem do filme, Tom Baxter, que já assistira cinco vezes, salta de uma imagem descolorida para a realidade.
Woody faz também, uma referência e uma sátira a situação americana na época da depressão, desemprego, falta de alimentos e de dinheiro viram passagens cômicas na voz e nas atitudes de Tom. Jeff Daniels, o artista que faz dois personagens idênticos deve ter tido uma missão bastante incômoda em conciliar duas figuras que são ao mesmo tempo ficção e realidade.
Outro aspecto retratado no filme, é a vaidade nos grandes artistas de Hollywood, visto que o personagem “real”, que interpreta Baxter (Gil Sheperd), acaba seduzindo Cecília, através de sua importância cinematográfica para salvar a própria pele, ou seja, sua carreira. Na verdade, vemos no filme uma verdadeira metalinguagem do cinema, onde este é o sujeito de si mesmo, levando ao desencadeamento da ações.
O certo é que Allen não faz mais do que reproduzir um desejo de todos aqueles que gostam do Cinema. Quem já não desejou ou se imaginou estar dentro da tela? Vemos a cena em que encantada, Cecília passeia pela cidade com seu herói inventado, pouco antes de tudo aquilo ter um fim, realmente, essa é a proposta da Sétima Arte.
Premiações para A Rosa Púrpura do Cairo e seu diretor:
- Recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Roteiro Original.
- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor
Roteiro, além de ter sido indicado em outras três categorias: Melhor Filme - Comédia/Musical, Melhor Atriz - Comédia/Musical (Mia Farrow) e Melhor Ator - Comédia/Musical (Jeff Daniels).
- Ganhou o Prêmio FIPRESCI, no Festival de Cannes.
- Ganhou o Cesar de Melhor Filme Estrangeiro.
Uma dose de Woody Allen:
Para quem não sabe, o verdadeiro nome do diretor de A Rosa Púrpura do Cairo é Allan Stewart Konigsberg. Nasceu no dia 1º de dezembro de 1935, no Brooklyn
Uma curiosidade é que Allen já foi casado com Mia Farrow, a Cecília que protagoniza o filme que exibimos, porém separou-se dela em 1997 para ficar com sua filha adotiva, Soon Yi, com quem está até hoje mas ele sempre teve problemas de relacionamento.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
UM DIA SEM MEXICANOS - Uma comédia muito séria

As pessoas, cujas funções compõem os ramos mais necessários da Califórnia, somem! Pura mágica ou uma crítica ferrenha ao modo como os estadosunidenses tratam os latinos? A sétima arte desta vez traz o tema da imigração para a telona.
Hispânicos, sua cultura e todo o mais sempre mediocrizados pelo povo dos EUA, sofrem um sumiço repentino. O abalo é maior do que se poderia pensar – pelos lindos, brancos e ricos “americanos”, é claro. Os serviços mais básicos, desde fritar o gorduroso café da manhã de um senador à realizar as colheitas, que movimentam boa parte da economia, deixam de ser feitos. A falta da latinidade e de toda sua força de trabalho é sentida. Só mesmo assim, pelo visto. Daí a trama segue, apontando os conflitos que surgem com o desaparecimento.
Com humor e gloriosa ironia os diretores do filme Um dia sem mexicanos englobam o preconceito, sem monotonia. Numa situação hipotética como essa, em estado de caos, a superioridade e o senso de nação invadida por um povo estranho, caem por terra. Os “americanos” consideram o “povo hispânico” como um só, permeado de estereótipos.
Contextualizando...
Se trouxermos essa realidade para uma discussão mais nacionalizada, podemos comparar o caso a uma situação efetivamente mais próxima. São Paulo, capital do Brasil!!! Deus no céu e o nordestino no inferno. “Povinho da roça, cabeça-chata...”, e blá, blá, blá. O umbigo nacional se volta ao povo do “r” toRto. Segundo eles próprios. Salvo, aqueles que não se assemelham as maiorias e divergem dessa opinião. A maior parte, talvez incentivada pelo constante inchamento do ego paulistano-carioca, realizado pela mídia. A questão é que se acontecesse o mesmo em São Paulo, que aconteceu no filme, na Califórnia, a conjuntura não seria muito diferente. Eles ignoram que as massas são compostas pelo povo que inferiorizam. E são eles que dão a “sustança” necessária a subsistência da exploração e do sistema. Sem o nordestinos, assim como, sem os “mexicanos” – talvez chamados assim porque para os “americanos” a única nacionalidade que importe seja a deles – a desordem reinaria no “centro-sul” do país.
Ambos são a mão do processo de construção das cidade. E mais que isso são a mão que foi enfiada na massa. Literalmente.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
O Cine FA7 agora está na Internet
A partir de agora, o projeto voltado para todos aqueles que curtem bons filmes e ainda por cima querem algumas horas complementares para o currículo na Faculdade 7 de Setembro, tem um espaço na Rede Mundial de Computadores.
O Cine FA7, como o lugar reservado para a exibição de filmes cresceu neste semestre (2009.2) e já começa a atingir os outros cursos da FA7. Ficção, documentário, comédia, temas sociais e varias outras temáticas são abordadas nas sessões, que acontecem todas às quartas no horário EF a partir da 11h10, na sala 53b do instituto FA7.
O Blog do Cine FA7 será constituído de resenhas, comentários, sinopses, indicações, novidades do cinema não-comercial e você poderá interagir dando notas para os filmes exibidos e pode receber nosso informativo com várias matérias sobre cinema, cultura e entretenimento. Dicas de eventos e de outros espaços destinados à produção e exibição da sétima arte em Fortaleza, no Ceará e no Brasil.
Vale destacar que o projeto já conta com o e-grupo para troca de e-mails, de uma comunidade no Orkut e agora com o seu Blog, que nasce pra ampliar suas vias de divulgação e aumentar seu grau de interação com os freqüentadores.
Passando por clássicos do Cinema, desde Orsson Welles, até figurões do documentário brasileiro, como Eduardo Coutinho, o Cine FA7 coordenado pelo professor Dr. Paulo Germano, traz um tema diferente a cada mês de exibição e promove filmes que objetivem o engrandecimento cultural e intelectual de sua audiência, procurando também provocar uma forma de reflexão sobre os filmes e sobre a sociedade como um todo.
Então seja bem-vindo ao Blog do Cine FA7. Aproveite, divulgue e o mais importante, compareça às sessões, afinal o cinema é uma arte e nos faz ver a sociedade e o mundo no qual estamos inseridos.
Entre em nosso e-grupo e mande um e-mail para cinefa7@grupos.com.br. Peça já sua inclusão!
Alan Regis


