No mês de agosto, o CINEFA7 retorna às suas atividades. Depois de um semestre muito positivo para o projeto, 2009.2 promete ser mais um "sucesso de bilheteria " na Faculdade 7 de Setembro. Com a volta das aulas e as novas turmas que chegaram, a expectativa é que cada vez mais os alunos assistam às sessões e passem a visualizar de uma maneira diferente o cinema em sua percepção artística e social.
Neste mês de agosto traremos quatro filmes de diferentes países europeus, como o primeiro, Carne Trêmula, de Pedro Almodóvar, que traz o romance sensual da Espanha, passando pelo Grande Chefe, uma comédia que perpassa “apenas” por Dinamarca , Suécia , Islândia , Itália ,França , Noruega , Finlândia e Alemanha .Traremos também um filme muito subjetivo chamado O Sétimo Selo de origem sueca. E o último será um clássico de Píer Paolo Passolini :Teorema.
Não deixe de participar do CINEFA7 de agosto. Chame a sua turma para depois da aula às quartas-feiras dar uma passada e conferir um cinema diferenciado e seletivo, além do mais, a presença vale 2 horas/aulas complementares. Participe e divulgue.
A história contada por aqueles que a vivem. Lembranças dos conhecidos, a maioria já de “finados”. Cada ponto que compôs a cidadela que agora não mais existe. Quem vê os dois ali apontando para o nada pode até pensar que se trata de um autismo coletivo, ou que a velhice já extinguiu a lucidez. Todavia a memória não falha e os nomes vêm. E junto com eles mais estórias de passados e de vidas que agora estão sob a areia. As dunas movidas pelo vento movimentam-se descobrindo e encobrindo vilas. A medida que elas se aproximam, os moradores migram para lugares diversos. A igreja, a mercearia, as casas dos pescadores. A fome das dunas ao sabor dos ventos devora tudo. E os viventes vão buscar outro lugar que os dê abrigo, até a próxima duna.
No premiado documentário de Alexandre Veras, os cenários se misturam com a narrativa oral. O fenômeno do deslocamento de vilas, nas cinco cidades do interior do Ceará, é palco dos discursos dos personagens.O pescador, o construtor de barcos, a senhora que expõe as semelhanças entre o pequeno ser que cultiva na mão, achado por ali pelo mar, e o animal que deu o nome ao bichinho, o cavalo.
Cada cena é como uma pintura. Se congelamos as cenas, as fotos resultantes são belas e suplicantes de contemplação. O mangue, o garoto que corre sob duas rodas nas dunas, ou mesmo o senhor-pescador que parece vai ser engolido pela parede de areia á sua frente, como quando está no mar e a parede que enfrenta é de água e sal.
Um pequeno filme. Um retrato, vários retratos.
Nossos parabéns a poesia de imagem em movimento. O movimento dos ventos, das dunas, das gentes, das histórias.
Confira galeria de fotos, com os quadros-momentos:
Três irmãs, um destino. Repleto pela música, pelo tocar do ganzá, pelo barulho das moedas caindo, pela escuridão. Pediam esmolas desde que eram adolescentes. Pelo canto sobreviviam. A moléstia congênita que teimou em encarnar nas três mulheres. Se explica, como elas imaginam, pelos laços sanguíneos entre a mãe e o pai. Eram primos. Mas o mal pode transformar. A união faz delas uma só. Dormindo, acordadas ou cantando. Vidas unidas pela falta da luz. As vozes graves passaram a encantar o Brasil. Porque a pessoa é para o que nasce! Encantaram Gil, o público e o expectador do filme de Berliner. Esse inclusive, é o alvo de uma amor confundido de Maria, a do meio. Ela teima em perseguir o amor. Já casou por duas vezes. Na primeira, o marido – repentista – a maltratava, mas deixou-lhe uma estrela. Dalva. Na segunda, diz que o esposo era bom sem precedentes. Mataram-no pelas costas á facadas. E junto com ele mais uma luz de Maria findou. Ficou só novamente. Com o filme, o diretor a fez reconceber sentimentos. Novamente, desilusões. Ao som de um música brega-anos 90, tocada num rádio velho. Depois viu a esposa e o filho daquele que achara ser seu amado.
A mais nova da irmãs recebeu as graças de uma marca. Marca da fonte da vida, a água. Chama-se Indaiá. Já Poroca (Conceição) é o nome que se apegou a mais velha. Todas são retratadas num belo documentário que desnuda um cotidiano simples de três mulheres-guerreiras da vida da Paraíba. Com o filme, se tornam aquilo que não podem ver. Luz, estrelas de cinema. O que lhes traz muita alegria. Ingenuidade nas palavras, nos pedidos, nas histórias. Fazem de Maria, Conceição e Indaiá pedaços firmes-leves da cultura popular nordestina brasileira.
A nudez que fecha o filme talvez queira transmitir a pureza escondida nos corpos que sequer podem ver. As cores, as formas e a malícia dos homens. Justa e célebre homenagem de Berliner às irmãs, à cultura.
Junho é o mês em que, sem sombra de dúvida o nordestino se sente orgulhoso de aqui ter nascido. Uma explosão de cores, de tradições e de imagens, inundam as cidades, as lojas. Os meios de comunicação parecem se voltar para esta terra, esquecida durante os outros meses do ano.Ser nordestino, como disse Euclides da Cunha, é ser acima de tudo, um forte. E esta frase pode ser aplicada também quando se fala em audiovisual e cinema.
São várias as dificuldades encontradas para os que, na região tentam produzir seus vídeos, documentários e filmes de curta,média e longa metragem. Mas apesar dessas barreiras, muito é feito por aqueles que "com gosto de sangue na boca" se arriscam a produzir, tendo muitas das vezes que arcar com os próprios custeios de produção e edição dos projetos. E no Ceará a situação não é menos preocupante, há vários anos vem-se tentando fortalecer o movimento no estado, à base de muita força de vontade e atenção do governo do estado.
Para este mês, em que pretendemos mostrar um mínimo do que já foi feito por nossos diretores teremos três visões diferentes: à partir do Ceará, com o premiado diretor Alexandre Veras e suas Vilas volantes- o verbo contra o vento (10/6) , trazendo uma mostra de como as histórias são repassadas oralmente pelos mais velhos. A pessoa é para o que nasce (3/6), traz uma visão iluminada de três irmãs cegas da Paraíba que, com muito talento, demonstram a vontade de viver através da música. Viva São João é um típico "documentário/clipe" em que Gilberto Gil vive aquele sujeito que já não sabe mais como ser nordestino e observa "de fora" aquilo que já não possui, a nordestinidade.
São por esses e outros motivos que o Cine FA7 encerra suas atividades no semestre com este tema tão rico e sedutor. Para os que vão às sessões, o certo é que não se arrependerão, pois estarão vivenciando a cultura de sua terra, de suas raizes através dos três documentários que encherão os olhos do seleto grupo que acompanha o Cine FA7 toda quarta às 11h na sala 53B.
A comédia romântica, traz como enredo principal o sistema burocrático presente em Cuba. Um funcionário do sistema desenvolve uma maneira engenhosa de transporte de mortos, para suas respectivas terras natais. Todavia, a coisa se revela bem mais complicada do que ele poderia imaginar. Além das complicações do percurso, os chefes políticos visualizam grandes transtornos com a idéia. Na verdade, o objetivo principal dele é o de ascender meteoricamente com sua grandiosa invenção. Sua mulher, acaba reencontrando um aluno dos tempos em que lecionava Economia em uma faculdade cubana.
Para o azar do marido, o ex-aluno, que já mantinha um afeto declarado em carta entregue a professora, balança com a mulher. Ela, reprimida pelo esposo, em gestos, vícios e vida, resolve desvencilhar-se de tais algemas. Tudo isso acontece na travessia que percorre Cuba de uma ponta a outra. Para mostrar que seu novo sistema de transporte de falecidos é eficaz, o funcionário resolve ele mesmo testar, utilizando-se para isso, da morte da tia de sua mulher. Essa tia por sua vez, uma cantora famosa internacionalmente, havia voltado para o amor que a esperara por quase meio século. No momento do reencontro, as emoções povoadas de boas lembranças abatem seu coração. E com isso inaugura o sistema de transportes do marido da sobrinha. Toda a trama é regada pela ondulante trilha que dá nome ao longa. Entre graças e beijos cubanos, o clima de romance e aventura abobalhada se entremeiam.
O filme A Rosa Púrpura do Cairo de Woody Allen é uma comédia no mínimo surreal. Mais do que isso, nos leva a crer na perspectiva de realidade que o cinema pode introjetar em nossas vidas. A cina de uma simples garçonete (Cecilia), interpretada por Mia Farrow que sofre com seu marido, se transforma em um verdadeiro sonho a partir do momento em que o personagem do filme, Tom Baxter, que já assistira cinco vezes, salta de uma imagem descolorida para a realidade.
Woody faz também, uma referência e uma sátira a situação americana na época da depressão, desemprego, falta de alimentos e de dinheiro viram passagens cômicas na voz e nas atitudes de Tom. Jeff Daniels, o artista que faz dois personagens idênticos deve ter tido uma missão bastante incômoda em conciliar duas figuras que são ao mesmo tempo ficção e realidade.
Outro aspecto retratado no filme, é a vaidade nos grandes artistas de Hollywood, visto que o personagem “real”, que interpreta Baxter (Gil Sheperd), acaba seduzindo Cecília, através de sua importância cinematográfica para salvar a própria pele, ou seja, sua carreira. Na verdade, vemos no filme uma verdadeira metalinguagem do cinema, onde este é o sujeito de si mesmo, levando ao desencadeamento da ações.
O certo é que Allen não faz mais do que reproduzir um desejo de todos aqueles que gostam do Cinema. Quem já não desejou ou se imaginou estar dentro da tela? Vemos a cena em que encantada, Cecília passeia pela cidade com seu herói inventado, pouco antes de tudo aquilo ter um fim, realmente, essa é a proposta da Sétima Arte.
Premiações para A Rosa Púrpura do Cairo e seu diretor:
- Recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Roteiro Original.
- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor
Roteiro, além de ter sido indicado em outras três categorias: Melhor Filme - Comédia/Musical, Melhor Atriz - Comédia/Musical (Mia Farrow) e Melhor Ator - Comédia/Musical (Jeff Daniels).
- Ganhou o Prêmio FIPRESCI, no Festival de Cannes.
- Ganhou o Cesar de Melhor Filme Estrangeiro.
Uma dose de Woody Allen:
Para quem não sabe, o verdadeiro nome do diretor de A Rosa Púrpura do Cairoé Allan Stewart Konigsberg. Nasceu no dia 1º de dezembro de 1935, no Brooklyn em Nova York, EUA e já dirigiu até hoje 41 filmes, o último deles se chama Vicky Cristina Barcelona, que foi lançado no ano passado, além de dezenas de indicações a Oscars e prêmios.
Uma curiosidade é que Allen já foi casado com Mia Farrow, a Cecília que protagoniza o filme que exibimos, porém separou-se dela em 1997 para ficar com sua filha adotiva, Soon Yi, com quem está até hoje mas ele sempre teve problemas de relacionamento.
As pessoas, cujas funções compõem os ramos mais necessários da Califórnia, somem! Pura mágica ou uma crítica ferrenha ao modo como os estadosunidenses tratam os latinos? A sétima arte desta vez traz o tema da imigração para a telona.
Hispânicos, sua cultura e todo o mais sempre mediocrizados pelo povo dos EUA, sofrem um sumiço repentino. O abalo é maior do que se poderia pensar – pelos lindos, brancos e ricos “americanos”, é claro. Os serviços mais básicos, desde fritar o gorduroso café da manhã de um senador à realizar as colheitas, que movimentam boa parte da economia, deixam de ser feitos. A falta da latinidade e de toda sua força de trabalho é sentida. Só mesmo assim, pelo visto. Daí a trama segue, apontando os conflitos que surgem com o desaparecimento.
Com humor e gloriosa ironia os diretores do filme Um dia sem mexicanos englobam o preconceito, sem monotonia. Numa situação hipotética como essa, em estado de caos, a superioridade e o senso de nação invadida por um povo estranho, caem por terra. Os “americanos” consideram o “povo hispânico” como um só, permeado de estereótipos.
Contextualizando... Se trouxermos essa realidade para uma discussão mais nacionalizada, podemos comparar o caso a uma situação efetivamente mais próxima. São Paulo, capital do Brasil!!! Deus no céu e o nordestino no inferno. “Povinho da roça, cabeça-chata...”, e blá, blá, blá. O umbigo nacional se volta ao povo do “r” toRto. Segundo eles próprios. Salvo, aqueles que não se assemelham as maiorias e divergem dessa opinião. A maior parte, talvez incentivada pelo constante inchamento do ego paulistano-carioca, realizado pela mídia. A questão é que se acontecesse o mesmo em São Paulo, que aconteceu no filme, na Califórnia, a conjuntura não seria muito diferente. Eles ignoram que as massas são compostas pelo povo que inferiorizam. E são eles que dão a “sustança” necessária a subsistência da exploração e do sistema. Sem o nordestinos, assim como, sem os “mexicanos” – talvez chamados assim porque para os “americanos” a única nacionalidade que importe seja a deles – a desordem reinaria no “centro-sul” do país.
Ambos são a mão do processo de construção das cidade. E mais que isso são a mão que foi enfiada na massa. Literalmente.