quinta-feira, 3 de setembro de 2009

SOB A NÉVOA DA GUERRA - Que curriculo têm esses dois: o país e seu antigo secretário de Defesa

Por Sâmila Braga

Mcnamara, o homem de ferro, que liderou a inteligência da máquina de possibilidades e realidade de ataques da máquina bélica dos Estados Unidos contra o Vietnã e qualquer um que se opusesse ao imperialismo ianque. Ou mesmo entrasse no caminho estadosunidenses. Robert Mcnamara, um homem polêmico na sua época de Secretário da Defesa do pais do Tio Sam, que resolve, talvez por desencargo de consciência trazer à tona, alguns dados daqueles tempos.


Sob a pele já gasta de aflições infindas da guerra contra uma potência vermelha ou um pequeno país, ele não deixa de lado o ar altivo e controlador. Diz que a Guerra que viveu não teve nada de Fria, esteve bem quente, e a ponto de explodir o planeta. Sabe que qualquer declaração sua ainda tem poder. Por isso mede as palavras, conta o que convém contar, mas conta mais do que já foi dito sobre a guerra do Vietnã e da crueldade – em números – do poderio norte-americano. Assim como, quando levanta o caso do bloqueio de Cuba e do quase ataque que ocorreu à ilha de Fidel. Explica que essa é a lógica da guerra. Para ele parece ser a guerra um grande jogo lógico ao qual teve que se habituar e tirar de lá seu emprego, suas honras, famas, dores e remorsos.


Mcnamara enumera as dez lições passiveis de serem seguidas por individuo, pais ou governo em estado de guerra. Seguem:

#1#

Cause empatia no inimigo.

#2#

A racionalidade não nos salvará.

#3#

Existe algo além de si próprio.

#4#

É preciso maximizar experiência.

#5#

A proporcionalidade deve ser uma diretriz da guerra.

#6#

Obtenha dados.

#7#

A crença e a visão costumam estar erradas.

#8#

Esteja preparado para rever seu raciocínio.

#9#

Para fazer o bem talvez seja preciso fazer o mal

#10#

Nunca diga nunca.

#Lição-extra#

Não se pode mudar a natureza humana!


Se ele sabe o que diz, isso ninguém sabe. Mas uma coisa é certa. Alguém com sua experiência em trabalhar com vidas disfarçadas de dígitos sabe jogar o jogo da guerra. Na época em que comandou a segurança da maior potência mundial fez história, e é essa história que Robert Mcnamara conta em Sob a Névoa da Guerra.


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

TEOREMA - A queda do capitalismo e da família moderna

Por Alan Regis Dantas

O filme do clássico diretor italiano Pier Paolo Pasoline teorema, deixa muitas impressões, às vezes até confusas, para os que não estão habituados a acompanhar uma narrativa diferenciada. Após a sessão do dia 26 de agosto, muitos disseram: “Não entendi nada”. Na verdade, a temática tratada pelo italiano ainda na década de sessenta, época de gravação do filme, nos remete a uma crise do capitalismo e da estrutura familiar. Vivida em um dos hábitat’s onde a lei da igreja salta aos olhos: Roma, o jovem hóspede da casa dos burgueses capitalistas, revela o que cada personagem esconde por trás da máscara do conformismo: Uma filha louca, uma mulher insatisfeita, um filho que esconde sua felicidade, e uma empregada... “santa”. Cito Giovanni Alves em uma análise do Filme escrito para o site Tela Crítica:


“Teorema” é um drama familiar que expressa, em si, de forma alegórica, a tragédia da sociabilidade burguesa em crise terminal. É a partir da presença – parousia – do hóspede misterioso, que cada personagem nega (e afirma, ao mesmo tempo) a si próprio.


Para se fazer entender (ou não), Pasolini se vale de uma concepção fílmica que confunde o raciocínio lógico do espectador desavisado, cenas iniciais que representam uma “deslinearização” da história, ou seja, um quadro não pode ser justaposto a outro, é um mosaico de passages soltas, que vão aos poucos se encaixando como nos mais imbricados quebra-cabeças.


Só a partir de algum tempo de análise e correr de Teorema é que podemos perceber a crítica aos preceitos hipócritas da sociedade daquele contexto histórico. O “despir” do eixo capitalista, em meio a um cenário, que aparenta ser um vulcão italiano pronto para uma erupção, é alegoricamente falando a transfiguração do desespero do lucro ante a sua derrocada e a busca pelo isolamento: única saída cômoda para os patrões individualistas.







terça-feira, 18 de agosto de 2009

O GRANDE CHEFE - Ao estilo de Lars Von Trier

Por Sâmila Braga



O estilo de Lars Von Trier é bem diferente do que estamos acostumados. Cortes no meio das cenas, uma narrativa direta, quase simplista. O diálogo entre os personagens envolvem na trama lúdica de forma a povoar de indagações quem está diante da tela. Um ator mal sucedido encontra o seu momento de glória, quando contratado para estrelar como “o dono de tudo”, acaba pondo fim as esperanças de todos. Ravn, vigarista oportuno o contratara para atuar como proprietário da empresa da qual ele é dono. Ravn gosta de ser amado, feito ursinho de pelúcia, literalmente. Todavia Ravn, sob uma manta de cuidadoso advogado da empresa, é na verdade o “dono de tudo”. Sem querer mostrar sua face engana os seis diretores de sua empresa e tecnologia de informação.


O ator mal sucedido do começo do texto é o fantoche que ele deseja usar para vender a empresa, sem remorsos ou direitos para qualquer um de seus funcionários. O pobre coitado ator falido, Kristoffer, veste as glórias de ser o grande chefe e passa de idiota, de malvado, de gay, de sedutor, consecutiva ou simultaneamente. Encontra a mulher, com quem foi casado por cinco anos, na condição de advogada do islandês que deseja a compra da empresa.


No fim, o canalha vira amiguinho, mesmo quando o ator se questiona sobre do céu ao inferno em instantes. O final não é bem como s queria, a venda da empresa acontece e o ator fracassado agora arranja palcos macabros, encenando seu adorado diretor de teatro – cuja mais citada obra por ele é “A Cidade sem chaminés” – para um platéia estreita e que odeia sentimentalismo dinamarquês.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

CARNE TRÊMULA - O quente cruzamento de cinco vidas

Por Alan Regis Dantas


Lançado em 1997, Carne Trêmula tem como diretor o espanhol Almodóvar, já conhecido pela sua produção tipicamente sensual. O filme não deixa de ser aquele velho tipo Hollywoodiano mas traz questões relevantes para a vida cotidiana de muitas pessoas em todo o mundo. Passando pelas ruas de Madrid, Almodóvar transforma a vida de um entregador de Pizzas num misto amor, sexo e traição.


Várias situações retratadas pelo filme vão ao encontro da realidade concreta. A presença de um marido alcoólatra com uma mulher que já não suporta ser espancada e busca num jovem, Vítor, os momentos que já não tinha no casamento. Um policial, que no exercício de sua profissão acidentalmente perde o movimento das pernas e ganha no basquete sobre rodas, uma oportunidade para continuar tendo uma vida suportável. As dificuldades do cadeirante (Javier Bardem), são expostas em situações como entrar em seu carro adaptado e descer as escadas preste a cair.


Os momentos de sexo do filme podem ser considerados como “mágicos”. Através deles podemos observar a habilidade do diretor em valorizar a cor, a luz, o suor e as curvas dos corpos que se entrelaçam embalados pela música espanhola, causando um completo envolvimento sem ser escrachado.


Podemos determinar que a mensagem central da obra seja a de que um amor é um fogo que não se apaga com a tempestade que a vida pode trazer. A noite vivida por David e Elena serviu para selar o começo de uma nova existência e o fim de uma época que deixou marcas na história dos personagens. Nas cenas finais revemos o mesmo quadro do início, um filho nascendo dentro de um veículo, nas ruas movimentadas de Madrid, demonstrando que a vida é apenas um ciclo, o que muda são seus atores.






terça-feira, 4 de agosto de 2009

Agosto - Mês Europa


No mês de agosto, o CINEFA7 retorna às suas atividades. Depois de um semestre muito positivo para o projeto, 2009.2 promete ser mais um "sucesso de bilheteria " na Faculdade 7 de Setembro. Com a volta das aulas e as novas turmas que chegaram, a expectativa é que cada vez mais os alunos assistam às sessões e passem a visualizar de uma maneira diferente o cinema em sua percepção artística e social.

Neste mês de agosto traremos quatro filmes de diferentes países europeus, como o primeiro, Carne Trêmula, de Pedro Almodóvar, que traz o romance sensual da Espanha, passando pelo Grande Chefe, uma comédia que perpassa “apenas” por Dinamarca , Suécia , Islândia , Itália ,França , Noruega , Finlândia e Alemanha . Traremos também um filme muito subjetivo chamado O Sétimo Selo de origem sueca. E o último será um clássico de Píer Paolo Passolini :Teorema.

Não deixe de participar do CINEFA7 de agosto. Chame a sua turma para depois da aula às quartas-feiras dar uma passada e conferir um cinema diferenciado e seletivo, além do mais, a presença vale 2 horas/aulas complementares. Participe e divulgue.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

VILAS VOLANTES - Palavras sopradas

Por Sâmila Braga


A história contada por aqueles que a vivem. Lembranças dos conhecidos, a maioria já de “finados”. Cada ponto que compôs a cidadela que agora não mais existe. Quem vê os dois ali apontando para o nada pode até pensar que se trata de um autismo coletivo, ou que a velhice já extinguiu a lucidez. Todavia a memória não falha e os nomes vêm. E junto com eles mais estórias de passados e de vidas que agora estão sob a areia. As dunas movidas pelo vento movimentam-se descobrindo e encobrindo vilas. A medida que elas se aproximam, os moradores migram para lugares diversos. A igreja, a mercearia, as casas dos pescadores. A fome das dunas ao sabor dos ventos devora tudo. E os viventes vão buscar outro lugar que os dê abrigo, até a próxima duna.

No premiado documentário de Alexandre Veras, os cenários se misturam com a narrativa oral. O fenômeno do deslocamento de vilas, nas cinco cidades do interior do Ceará, é palco dos discursos dos personagens.O pescador, o construtor de barcos, a senhora que expõe as semelhanças entre o pequeno ser que cultiva na mão, achado por ali pelo mar, e o animal que deu o nome ao bichinho, o cavalo.

Cada cena é como uma pintura. Se congelamos as cenas, as fotos resultantes são belas e suplicantes de contemplação. O mangue, o garoto que corre sob duas rodas nas dunas, ou mesmo o senhor-pescador que parece vai ser engolido pela parede de areia á sua frente, como quando está no mar e a parede que enfrenta é de água e sal.

Um pequeno filme. Um retrato, vários retratos.

Nossos parabéns a poesia de imagem em movimento. O movimento dos ventos, das dunas, das gentes, das histórias.

Confira galeria de fotos, com os quadros-momentos:


quinta-feira, 4 de junho de 2009

A PESSOA É PARA O QUE NASCE - A luz de quem vive na escuridão

Pormila Braga

A pessoa é para o que nasce ...


Três irmãs, um destino. Repleto pela música, pelo tocar do ganzá, pelo barulho das moedas caindo, pela escuridão. Pediam esmolas desde que eram adolescentes. Pelo canto sobreviviam. A moléstia congênita que teimou em encarnar nas três mulheres. Se explica, como elas imaginam, pelos laços sanguíneos entre a mãe e o pai. Eram primos. Mas o mal pode transformar. A união faz delas uma só. Dormindo, acordadas ou cantando. Vidas unidas pela falta da luz. As vozes graves passaram a encantar o Brasil. Porque a pessoa é para o que nasce! Encantaram Gil, o público e o expectador do filme de Berliner. Esse inclusive, é o alvo de uma amor confundido de Maria, a do meio. Ela teima em perseguir o amor. Já casou por duas vezes. Na primeira, o marido – repentista – a maltratava, mas deixou-lhe uma estrela. Dalva. Na segunda, diz que o esposo era bom sem precedentes. Mataram-no pelas costas á facadas. E junto com ele mais uma luz de Maria findou. Ficou só novamente. Com o filme, o diretor a fez reconceber sentimentos. Novamente, desilusões. Ao som de um música brega-anos 90, tocada num rádio velho. Depois viu a esposa e o filho daquele que achara ser seu amado.

A mais nova da irmãs recebeu as graças de uma marca. Marca da fonte da vida, a água. Chama-se Indaiá. Já Poroca (Conceição) é o nome que se apegou a mais velha. Todas são retratadas num belo documentário que desnuda um cotidiano simples de três mulheres-guerreiras da vida da Paraíba. Com o filme, se tornam aquilo que não podem ver. Luz, estrelas de cinema. O que lhes traz muita alegria. Ingenuidade nas palavras, nos pedidos, nas histórias. Fazem de Maria, Conceição e Indaiá pedaços firmes-leves da cultura popular nordestina brasileira.


A nudez que fecha o filme talvez queira transmitir a pureza escondida nos corpos que sequer podem ver. As cores, as formas e a malícia dos homens. Justa e célebre homenagem de Berliner às irmãs, à cultura.