Muitos filmes já trataram do rádio como grande advento do século XX. Como grande nome temos Woody Allen, com o seu “A Era do Rádio”. Numa época em que os computadores e as comunidades virtuais assumem o papel de grandes educadores e informadores da massa, o rádio parece ser utilizado apenas para fins comerciais, com suas músicas e notícias superficiais não atraindo novos ouvintes.
A linguagem radiofônica se distingue da dos demais veículos, por estimular a imaginação e levar seu público a grandes viagens lúdicas. Adrian Cronauer (Robin Williams) se caracteriza como um verdadeiro artista da voz. Com sua graça e habilidade sabe exatamente como usar o rádio a fim de informar emocionando, apesar de todos os revezes enfrentados com a autoridade dos comandos militares.
Devemos lembrar, no entanto, que o ambiente era a guerra do Vietnã, onde todos os dias várias pessoas eram mortas, inclusive americanos. Como fazer graça dentro de um contexto tão cruel e devastador? Cronauer de alguma forma, não tinha o espírito daqueles generais que achavam suas transmissões bobas e sem graça, a todo momento fazia piada de seus superiores e até das altas autoridades americanas.
No fundo todos amavam aquele homem puro, que não levava ao ar aquilo que ia de encontro a seus princípios éticos, até mesmo sendo censurado em sua missão de informar. Ao fim do filme é marcante descobrir que na verdade ele é o inimigo daquele povo, que perdeu muitos cidadãos, mas resistiu a invasão de suas casas e venceu a guerra como na mais bela história épica.
Mcnamara, o homem de ferro, que liderou a inteligência da máquina de possibilidades e realidade de ataques da máquina bélica dos Estados Unidos contra o Vietnã e qualquer um que se opusesse ao imperialismo ianque. Ou mesmo entrasse no caminho estadosunidenses. Robert Mcnamara, um homem polêmico na sua época de Secretário da Defesa do pais do Tio Sam, que resolve, talvez por desencargo de consciência trazer à tona, alguns dados daqueles tempos.
Sob a pele já gasta de aflições infindas da guerra contra uma potência vermelha ou um pequeno país, ele não deixa de lado o ar altivo e controlador. Diz que a Guerra que viveu não teve nada de Fria, esteve bem quente, e a ponto de explodir o planeta. Sabe que qualquer declaração sua ainda tem poder. Por isso mede as palavras, conta o que convém contar, mas conta mais do que já foi dito sobre a guerra do Vietnã e da crueldade – em números – do poderio norte-americano. Assim como, quando levanta o caso do bloqueio de Cuba e do quase ataque que ocorreu à ilha de Fidel. Explica que essa é a lógica da guerra. Para ele parece ser a guerra um grande jogo lógico ao qual teve que se habituar e tirar de lá seu emprego, suas honras, famas, dores e remorsos.
Mcnamara enumera as dez lições passiveis de serem seguidas por individuo, pais ou governo em estado de guerra. Seguem:
#1#
Cause empatia no inimigo.
#2#
A racionalidade não nos salvará.
#3#
Existe algo além de si próprio.
#4#
É preciso maximizar experiência.
#5#
A proporcionalidade deve ser uma diretriz da guerra.
#6#
Obtenha dados.
#7#
A crença e a visão costumam estar erradas.
#8#
Esteja preparado para rever seu raciocínio.
#9#
Para fazer o bem talvez seja preciso fazer o mal
#10#
Nunca diga nunca.
#Lição-extra#
Não se pode mudar a natureza humana!
Se ele sabe o que diz, isso ninguém sabe. Mas uma coisa é certa. Alguém com sua experiência em trabalhar com vidas disfarçadas de dígitos sabe jogar o jogo da guerra. Na época em que comandou a segurança da maior potência mundial fez história, e é essa história que Robert Mcnamara conta em Sob a Névoa da Guerra.
O filme do clássico diretor italiano Pier Paolo Pasoline teorema, deixa muitas impressões, às vezes até confusas, para os que não estão habituados a acompanhar uma narrativa diferenciada. Após a sessão do dia 26 de agosto, muitos disseram: “Não entendi nada”. Na verdade, a temática tratada pelo italiano ainda na década de sessenta, época de gravação do filme, nos remete a uma crise do capitalismo e da estrutura familiar. Vivida em um dos hábitat’s onde a lei da igreja salta aos olhos: Roma, o jovem hóspede da casa dos burgueses capitalistas, revela o que cada personagem esconde por trás da máscara do conformismo: Uma filha louca, uma mulher insatisfeita, um filho que esconde sua felicidade, e uma empregada... “santa”. CitoGiovanni Alves em uma análise do Filme escrito para o site Tela Crítica:
“Teorema” é um drama familiar que expressa, em si, de forma alegórica, a tragédia da sociabilidade burguesa em crise terminal. É a partir da presença – parousia – do hóspede misterioso, que cada personagem nega (e afirma, ao mesmo tempo) a si próprio.
Para se fazer entender (ou não), Pasolini se vale de uma concepção fílmica que confunde o raciocínio lógico do espectador desavisado, cenas iniciais que representam uma “deslinearização” da história, ou seja, um quadro não pode ser justaposto a outro, é um mosaico de passages soltas, que vão aos poucos se encaixando como nos mais imbricados quebra-cabeças.
Só a partir de algum tempo de análise e correr de Teorema é que podemos perceber a crítica aos preceitos hipócritas da sociedade daquele contexto histórico. O “despir” do eixo capitalista, em meio a um cenário, que aparenta ser um vulcão italiano pronto para uma erupção, é alegoricamente falando a transfiguração do desespero do lucro ante a sua derrocada e a busca pelo isolamento: única saída cômoda para os patrões individualistas.
O estilo de Lars Von Trier é bem diferente do que estamos acostumados. Cortes no meio das cenas, uma narrativa direta, quase simplista. O diálogo entre os personagens envolvem na trama lúdica de forma a povoar de indagações quem está diante da tela. Um ator mal sucedido encontra o seu momento de glória, quando contratado para estrelar como “o dono de tudo”, acaba pondo fim as esperanças de todos. Ravn, vigarista oportuno o contratara para atuar como proprietário da empresa da qual ele é dono. Ravn gosta de ser amado, feito ursinho de pelúcia, literalmente. Todavia Ravn, sob uma manta de cuidadoso advogado da empresa, é na verdade o “dono de tudo”. Sem querer mostrar sua face engana os seis diretores de sua empresa e tecnologia de informação.
O ator mal sucedido do começo do texto é o fantoche que ele deseja usar para vender a empresa, sem remorsos ou direitos para qualquer um de seus funcionários. O pobre coitado ator falido, Kristoffer, veste as glórias de ser o grande chefe e passa de idiota, de malvado, de gay, de sedutor, consecutiva ou simultaneamente. Encontra a mulher, com quem foi casado por cinco anos, na condição de advogada do islandês que deseja a compra da empresa.
No fim, o canalha vira amiguinho, mesmo quando o ator se questiona sobre do céu ao inferno em instantes. O final não é bem como s queria, a venda da empresa acontece e o ator fracassado agora arranja palcos macabros, encenando seu adorado diretor de teatro – cuja mais citada obra por ele é “A Cidade sem chaminés” – para um platéia estreita e que odeia sentimentalismo dinamarquês.
Lançado em 1997, Carne Trêmula tem como diretor o espanhol Almodóvar, já conhecido pela sua produção tipicamente sensual. O filme não deixa de ser aquele velho tipo Hollywoodiano mas traz questões relevantes para a vida cotidiana de muitas pessoas em todo o mundo. Passando pelas ruas de Madrid, Almodóvar transforma a vida de um entregador de Pizzas num misto amor, sexo e traição.
Várias situações retratadas pelo filme vão ao encontro da realidade concreta. A presença de um marido alcoólatra com uma mulher que jánão suporta ser espancada e busca num jovem, Vítor, os momentos que já não tinha no casamento. Um policial, que no exercício de sua profissão acidentalmente perde o movimento das pernas e ganha no basquete sobre rodas, uma oportunidade para continuar tendo uma vida suportável. As dificuldades do cadeirante (Javier Bardem), são expostas em situações como entrar em seu carro adaptado e descer as escadas preste a cair.
Os momentos de sexo do filme podem ser considerados como “mágicos”. Através deles podemos observar a habilidade do diretor em valorizara cor, a luz, o suor e as curvas dos corpos que se entrelaçam embalados pela música espanhola, causando um completo envolvimento sem ser escrachado.
Podemos determinar que a mensagem central da obra seja a de que um amor é um fogo que não se apaga com a tempestade que a vida pode trazer. A noite vivida por David e Elena serviu para selar o começo de uma nova existência e o fim de uma época que deixou marcas na história dos personagens. Nas cenas finais revemos o mesmo quadro do início, um filho nascendo dentro de um veículo, nas ruas movimentadas de Madrid, demonstrando que a vida é apenas um ciclo, o que muda são seus atores.
No mês de agosto, o CINEFA7 retorna às suas atividades. Depois de um semestre muito positivo para o projeto, 2009.2 promete ser mais um "sucesso de bilheteria " na Faculdade 7 de Setembro. Com a volta das aulas e as novas turmas que chegaram, a expectativa é que cada vez mais os alunos assistam às sessões e passem a visualizar de uma maneira diferente o cinema em sua percepção artística e social.
Neste mês de agosto traremos quatro filmes de diferentes países europeus, como o primeiro, Carne Trêmula, de Pedro Almodóvar, que traz o romance sensual da Espanha, passando pelo Grande Chefe, uma comédia que perpassa “apenas” por Dinamarca , Suécia , Islândia , Itália ,França , Noruega , Finlândia e Alemanha .Traremos também um filme muito subjetivo chamado O Sétimo Selo de origem sueca. E o último será um clássico de Píer Paolo Passolini :Teorema.
Não deixe de participar do CINEFA7 de agosto. Chame a sua turma para depois da aula às quartas-feiras dar uma passada e conferir um cinema diferenciado e seletivo, além do mais, a presença vale 2 horas/aulas complementares. Participe e divulgue.
A história contada por aqueles que a vivem. Lembranças dos conhecidos, a maioria já de “finados”. Cada ponto que compôs a cidadela que agora não mais existe. Quem vê os dois ali apontando para o nada pode até pensar que se trata de um autismo coletivo, ou que a velhice já extinguiu a lucidez. Todavia a memória não falha e os nomes vêm. E junto com eles mais estórias de passados e de vidas que agora estão sob a areia. As dunas movidas pelo vento movimentam-se descobrindo e encobrindo vilas. A medida que elas se aproximam, os moradores migram para lugares diversos. A igreja, a mercearia, as casas dos pescadores. A fome das dunas ao sabor dos ventos devora tudo. E os viventes vão buscar outro lugar que os dê abrigo, até a próxima duna.
No premiado documentário de Alexandre Veras, os cenários se misturam com a narrativa oral. O fenômeno do deslocamento de vilas, nas cinco cidades do interior do Ceará, é palco dos discursos dos personagens.O pescador, o construtor de barcos, a senhora que expõe as semelhanças entre o pequeno ser que cultiva na mão, achado por ali pelo mar, e o animal que deu o nome ao bichinho, o cavalo.
Cada cena é como uma pintura. Se congelamos as cenas, as fotos resultantes são belas e suplicantes de contemplação. O mangue, o garoto que corre sob duas rodas nas dunas, ou mesmo o senhor-pescador que parece vai ser engolido pela parede de areia á sua frente, como quando está no mar e a parede que enfrenta é de água e sal.
Um pequeno filme. Um retrato, vários retratos.
Nossos parabéns a poesia de imagem em movimento. O movimento dos ventos, das dunas, das gentes, das histórias.
Confira galeria de fotos, com os quadros-momentos:
Três irmãs, um destino. Repleto pela música, pelo tocar do ganzá, pelo barulho das moedas caindo, pela escuridão. Pediam esmolas desde que eram adolescentes. Pelo canto sobreviviam. A moléstia congênita que teimou em encarnar nas três mulheres. Se explica, como elas imaginam, pelos laços sanguíneos entre a mãe e o pai. Eram primos. Mas o mal pode transformar. A união faz delas uma só. Dormindo, acordadas ou cantando. Vidas unidas pela falta da luz. As vozes graves passaram a encantar o Brasil. Porque a pessoa é para o que nasce! Encantaram Gil, o público e o expectador do filme de Berliner. Esse inclusive, é o alvo de uma amor confundido de Maria, a do meio. Ela teima em perseguir o amor. Já casou por duas vezes. Na primeira, o marido – repentista – a maltratava, mas deixou-lhe uma estrela. Dalva. Na segunda, diz que o esposo era bom sem precedentes. Mataram-no pelas costas á facadas. E junto com ele mais uma luz de Maria findou. Ficou só novamente. Com o filme, o diretor a fez reconceber sentimentos. Novamente, desilusões. Ao som de um música brega-anos 90, tocada num rádio velho. Depois viu a esposa e o filho daquele que achara ser seu amado.
A mais nova da irmãs recebeu as graças de uma marca. Marca da fonte da vida, a água. Chama-se Indaiá. Já Poroca (Conceição) é o nome que se apegou a mais velha. Todas são retratadas num belo documentário que desnuda um cotidiano simples de três mulheres-guerreiras da vida da Paraíba. Com o filme, se tornam aquilo que não podem ver. Luz, estrelas de cinema. O que lhes traz muita alegria. Ingenuidade nas palavras, nos pedidos, nas histórias. Fazem de Maria, Conceição e Indaiá pedaços firmes-leves da cultura popular nordestina brasileira.
A nudez que fecha o filme talvez queira transmitir a pureza escondida nos corpos que sequer podem ver. As cores, as formas e a malícia dos homens. Justa e célebre homenagem de Berliner às irmãs, à cultura.
Junho é o mês em que, sem sombra de dúvida o nordestino se sente orgulhoso de aqui ter nascido. Uma explosão de cores, de tradições e de imagens, inundam as cidades, as lojas. Os meios de comunicação parecem se voltar para esta terra, esquecida durante os outros meses do ano.Ser nordestino, como disse Euclides da Cunha, é ser acima de tudo, um forte. E esta frase pode ser aplicada também quando se fala em audiovisual e cinema.
São várias as dificuldades encontradas para os que, na região tentam produzir seus vídeos, documentários e filmes de curta,média e longa metragem. Mas apesar dessas barreiras, muito é feito por aqueles que "com gosto de sangue na boca" se arriscam a produzir, tendo muitas das vezes que arcar com os próprios custeios de produção e edição dos projetos. E no Ceará a situação não é menos preocupante, há vários anos vem-se tentando fortalecer o movimento no estado, à base de muita força de vontade e atenção do governo do estado.
Para este mês, em que pretendemos mostrar um mínimo do que já foi feito por nossos diretores teremos três visões diferentes: à partir do Ceará, com o premiado diretor Alexandre Veras e suas Vilas volantes- o verbo contra o vento (10/6) , trazendo uma mostra de como as histórias são repassadas oralmente pelos mais velhos. A pessoa é para o que nasce (3/6), traz uma visão iluminada de três irmãs cegas da Paraíba que, com muito talento, demonstram a vontade de viver através da música. Viva São João é um típico "documentário/clipe" em que Gilberto Gil vive aquele sujeito que já não sabe mais como ser nordestino e observa "de fora" aquilo que já não possui, a nordestinidade.
São por esses e outros motivos que o Cine FA7 encerra suas atividades no semestre com este tema tão rico e sedutor. Para os que vão às sessões, o certo é que não se arrependerão, pois estarão vivenciando a cultura de sua terra, de suas raizes através dos três documentários que encherão os olhos do seleto grupo que acompanha o Cine FA7 toda quarta às 11h na sala 53B.
A comédia romântica, traz como enredo principal o sistema burocrático presente em Cuba. Um funcionário do sistema desenvolve uma maneira engenhosa de transporte de mortos, para suas respectivas terras natais. Todavia, a coisa se revela bem mais complicada do que ele poderia imaginar. Além das complicações do percurso, os chefes políticos visualizam grandes transtornos com a idéia. Na verdade, o objetivo principal dele é o de ascender meteoricamente com sua grandiosa invenção. Sua mulher, acaba reencontrando um aluno dos tempos em que lecionava Economia em uma faculdade cubana.
Para o azar do marido, o ex-aluno, que já mantinha um afeto declarado em carta entregue a professora, balança com a mulher. Ela, reprimida pelo esposo, em gestos, vícios e vida, resolve desvencilhar-se de tais algemas. Tudo isso acontece na travessia que percorre Cuba de uma ponta a outra. Para mostrar que seu novo sistema de transporte de falecidos é eficaz, o funcionário resolve ele mesmo testar, utilizando-se para isso, da morte da tia de sua mulher. Essa tia por sua vez, uma cantora famosa internacionalmente, havia voltado para o amor que a esperara por quase meio século. No momento do reencontro, as emoções povoadas de boas lembranças abatem seu coração. E com isso inaugura o sistema de transportes do marido da sobrinha. Toda a trama é regada pela ondulante trilha que dá nome ao longa. Entre graças e beijos cubanos, o clima de romance e aventura abobalhada se entremeiam.
O filme A Rosa Púrpura do Cairo de Woody Allen é uma comédia no mínimo surreal. Mais do que isso, nos leva a crer na perspectiva de realidade que o cinema pode introjetar em nossas vidas. A cina de uma simples garçonete (Cecilia), interpretada por Mia Farrow que sofre com seu marido, se transforma em um verdadeiro sonho a partir do momento em que o personagem do filme, Tom Baxter, que já assistira cinco vezes, salta de uma imagem descolorida para a realidade.
Woody faz também, uma referência e uma sátira a situação americana na época da depressão, desemprego, falta de alimentos e de dinheiro viram passagens cômicas na voz e nas atitudes de Tom. Jeff Daniels, o artista que faz dois personagens idênticos deve ter tido uma missão bastante incômoda em conciliar duas figuras que são ao mesmo tempo ficção e realidade.
Outro aspecto retratado no filme, é a vaidade nos grandes artistas de Hollywood, visto que o personagem “real”, que interpreta Baxter (Gil Sheperd), acaba seduzindo Cecília, através de sua importância cinematográfica para salvar a própria pele, ou seja, sua carreira. Na verdade, vemos no filme uma verdadeira metalinguagem do cinema, onde este é o sujeito de si mesmo, levando ao desencadeamento da ações.
O certo é que Allen não faz mais do que reproduzir um desejo de todos aqueles que gostam do Cinema. Quem já não desejou ou se imaginou estar dentro da tela? Vemos a cena em que encantada, Cecília passeia pela cidade com seu herói inventado, pouco antes de tudo aquilo ter um fim, realmente, essa é a proposta da Sétima Arte.
Premiações para A Rosa Púrpura do Cairo e seu diretor:
- Recebeu uma indicação ao Oscar, na categoria de Melhor Roteiro Original.
- Ganhou o Globo de Ouro de Melhor
Roteiro, além de ter sido indicado em outras três categorias: Melhor Filme - Comédia/Musical, Melhor Atriz - Comédia/Musical (Mia Farrow) e Melhor Ator - Comédia/Musical (Jeff Daniels).
- Ganhou o Prêmio FIPRESCI, no Festival de Cannes.
- Ganhou o Cesar de Melhor Filme Estrangeiro.
Uma dose de Woody Allen:
Para quem não sabe, o verdadeiro nome do diretor de A Rosa Púrpura do Cairoé Allan Stewart Konigsberg. Nasceu no dia 1º de dezembro de 1935, no Brooklyn em Nova York, EUA e já dirigiu até hoje 41 filmes, o último deles se chama Vicky Cristina Barcelona, que foi lançado no ano passado, além de dezenas de indicações a Oscars e prêmios.
Uma curiosidade é que Allen já foi casado com Mia Farrow, a Cecília que protagoniza o filme que exibimos, porém separou-se dela em 1997 para ficar com sua filha adotiva, Soon Yi, com quem está até hoje mas ele sempre teve problemas de relacionamento.
As pessoas, cujas funções compõem os ramos mais necessários da Califórnia, somem! Pura mágica ou uma crítica ferrenha ao modo como os estadosunidenses tratam os latinos? A sétima arte desta vez traz o tema da imigração para a telona.
Hispânicos, sua cultura e todo o mais sempre mediocrizados pelo povo dos EUA, sofrem um sumiço repentino. O abalo é maior do que se poderia pensar – pelos lindos, brancos e ricos “americanos”, é claro. Os serviços mais básicos, desde fritar o gorduroso café da manhã de um senador à realizar as colheitas, que movimentam boa parte da economia, deixam de ser feitos. A falta da latinidade e de toda sua força de trabalho é sentida. Só mesmo assim, pelo visto. Daí a trama segue, apontando os conflitos que surgem com o desaparecimento.
Com humor e gloriosa ironia os diretores do filme Um dia sem mexicanos englobam o preconceito, sem monotonia. Numa situação hipotética como essa, em estado de caos, a superioridade e o senso de nação invadida por um povo estranho, caem por terra. Os “americanos” consideram o “povo hispânico” como um só, permeado de estereótipos.
Contextualizando... Se trouxermos essa realidade para uma discussão mais nacionalizada, podemos comparar o caso a uma situação efetivamente mais próxima. São Paulo, capital do Brasil!!! Deus no céu e o nordestino no inferno. “Povinho da roça, cabeça-chata...”, e blá, blá, blá. O umbigo nacional se volta ao povo do “r” toRto. Segundo eles próprios. Salvo, aqueles que não se assemelham as maiorias e divergem dessa opinião. A maior parte, talvez incentivada pelo constante inchamento do ego paulistano-carioca, realizado pela mídia. A questão é que se acontecesse o mesmo em São Paulo, que aconteceu no filme, na Califórnia, a conjuntura não seria muito diferente. Eles ignoram que as massas são compostas pelo povo que inferiorizam. E são eles que dão a “sustança” necessária a subsistência da exploração e do sistema. Sem o nordestinos, assim como, sem os “mexicanos” – talvez chamados assim porque para os “americanos” a única nacionalidade que importe seja a deles – a desordem reinaria no “centro-sul” do país.
Ambos são a mão do processo de construção das cidade. E mais que isso são a mão que foi enfiada na massa. Literalmente.
A partir de agora, o projeto voltado para todos aqueles que curtem bons filmes e ainda por cima querem algumas horas complementares para o currículo na Faculdade 7 de Setembro, tem um espaço na Rede Mundial de Computadores.
O Cine FA7, como o lugar reservado para a exibição de filmes cresceu neste semestre (2009.2) e já começa a atingir os outros cursos da FA7. Ficção, documentário, comédia, temas sociais e varias outras temáticas são abordadas nas sessões, que acontecem todas às quartas no horário EF a partir da 11h10, na sala 53b do instituto FA7.
O Blog do Cine FA7 será constituído de resenhas, comentários, sinopses, indicações, novidades do cinema não-comercial e você poderá interagir dando notas para os filmes exibidos e pode receber nosso informativo com várias matérias sobre cinema, cultura e entretenimento. Dicas de eventos e de outros espaços destinados à produção e exibição da sétima arte em Fortaleza, no Ceará e no Brasil.
Vale destacar que o projeto já conta com o e-grupo para troca de e-mails, de uma comunidade no Orkut e agora com o seu Blog, que nasce pra ampliar suas vias de divulgação e aumentar seu grau de interação com os freqüentadores.
Passando por clássicos do Cinema, desde Orsson Welles, até figurões do documentário brasileiro, como Eduardo Coutinho, o Cine FA7 coordenado pelo professor Dr. Paulo Germano, traz um tema diferente a cada mês de exibição e promove filmes que objetivem o engrandecimento cultural e intelectual de sua audiência, procurando também provocar uma forma de reflexão sobre os filmes e sobre asociedade como um todo.
Então seja bem-vindo ao Blog do Cine FA7. Aproveite, divulgue e o mais importante, compareça às sessões, afinal o cinema é uma arte e nos faz ver a sociedade e o mundo no qual estamos inseridos.
Entre em nosso e-grupo e mande um e-mail para cinefa7@grupos.com.br. Peça já sua inclusão!