quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
A IGUALDADE É BRANCA - Hoje tudo se compra
A montagem da trama passa por momentos onde não se sabe exatamente o que o homem está pensando: reconstruir a vida, esquecendo aquilo que passou e se libertar como fez Binoche (aliás ela pode ser vista no fundo da sala do julgamento do divórcio)? Mas nada disso. A Igualdade é Branca, sem vida ou emoções. Diante dela nenhum ser humano está tranqüilo.
Karol passa por experiências frias mata, morre, é espancado. Mas seu gênio e determinação permanecem ativos, cegos pela sede da vingança. Mais uma vez a morte é instrumento. Para “matar” Dominique ele primeiro acaba com a própria vida. Depois de ficar rico e se refazer, o seu plano final é surpreendente. Entrega toda a fortuna para mostrar seu desapego, planeja sua morte detalhadamente e monta a armadilha.
Ao voltar do enterro a vingança se consuma. Karol triunfa sobre o corpo da Dominique. Os dois envoltos em lençóis vermelhos se separam. Ainda não era o suficiente. A prisão de Dominique encerra a película de 1994. A frase que pode resumir a história também diz muito sobre o que somos todos nós: hoje tudo se compra!
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
A LIBERDE É AZUL - A dor palpável e azul
Tudo parece se acalmar. É como se nada tivesse acontecido. O azul entorpecente da piscina. A água da noite, congelante. Vir a tona, a realidade, o choque, a perda. Novos mergulhos de lágrimas que se misturam ao cloro. O azul. Julie vai passando, sem fazer nada. Conhece pessoas, gente, diferente. Assusta-se com a cria da rata. Quer eliminá-la. Não quer crianças por perto. Lembranças da maternidade que um dia já exercera. A filha e o marido se foram no acidente de carro. Ela sobreviveu. Será? Vai passando. A tentativa de suicídio frustrada foi o sinal da fraqueza. A liberdade de fazer. Não consegue, se diz fraca demais para isso. Além da piscina, passa a mergulhar na música com o homem que a ama a muito tempo. Foi seu remédio quando já não mais agüentava. Ele guardou as recordações, e comprou o colchão velho, último pedaço da casa, do passado de Julie. Queria chamar sua atenção, usou até a TV para isso, ocasionalmente conseguiu. Desejava trazê-la de volta a vida, ressuscitá-la, afinal, tinha 33 anos. Estava desprendida, livre. Já que “bens, recordações, amigos, vínculos, são tudo uma armadilha”.
Julie aprende que é preciso estar presa a algo. O mendigo/flautista lhe disse. Sua história se tece na dor palpável. Azul. Orquestrados pelo som da trilha sonora de Zbigniew Preisner, os fatos se impõem, imperativos como a música. A materialização acústica. As descobertas e retomadas. Kieslowski brinca e atrai com o que para alguns diretores são apenas recursos técnicos. As expressões dispensam as falas. Olhares, cenários e luz desdobram pensamentos, reflexões.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Compre a pipoca, o CINEFA7 está voltando.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
NOVEMBRO DA CONSCIÊNCIA VERDE
O mês de novembro do CINEFA7, é o último deste ano. Vamos falar da importâcia da consciência ambiental, visto as péssimas condições por que passa o planeta. Refletir, com documentários, sobre nossas ações e observar como ainda no século passado, o homem já não estava tão interessado em conservar os bens naturais da Terra.
Toda quarta 11h20, na sala 53B. Vale como atividade complementar.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
SESSÃO HALLOWEEN
Atendendo a pedidos dos alunos da comunicação, realizaremos no dia 29 de outubro, próxima quinta-feira, uma Sessão-Extra lembrando o Halloween, que é comemorado na sexta. Para tanto iremos exibir o filme clássico de José Mojica Marins o “Zé do Caixão”, A encarnação do Demônio. Assim como outros filmes este valerá como atividade complementar, mas não constará para o prêmio de “Cadeira Cativa”. Fica o convite para os cinéfilos do Terror. Quinta, 29 de Outubro, sessão Terror no CINEFA7, sala 53B às 11H20. Compareça.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
NASCIDOS EM BORDÉIS - A Índia que não apareceria às oito.
Fustigante e límpido, o filme de Zana Briski e Ross Kauffman transporta quem o está assistindo para o distrito da Luz Vermelha,
Shanti Das, Avijit, Suchitra, Manik, Gour, Puja Mukerjee, Tapasi, Mamuni e Kochi são os escolhidos de Zana, a fotógrafa. Nove histórias, e nove futuros que Zana quer ajudar a construir. Todos ganham por presente possibilidades-de-ver-mundo, ou mais especificamente, máquinas fotográficas. Ela incita e ensina os pequenos a vivenciarem os momentos através das lentes. Talvez em algumas fotos eles esqueçam a realidade na qual estão inseridos, para congelarem belos momentos, movimentos. Ou percebam em cada foto a sociedade, diferenças e injustiças que os cercam. A Índia pobre e explorada que a novela brasileira não mostra. As crianças que não podem estudar e fazem do trabalho forçado sua única brincadeira. E como as que o filme traz, são excluídas e permeadas de preconceito por serem resíduos de um sistema. De pele encardida, da sujeira da rua, de casa e do governo. “Olho por olho e o mundo continuará cego!”. A Índia que Gandhi já anunciara forrada de mazelas.
Avijit se destaca. Seu atilamento é o mais aguçado. Sensibilidade, astúcia e percepção. É incrível como o garoto descreve o trabalho da mãe e como conta que quando ela não recebia o pagamento, quem ia atrás dos homens era ele próprio, tendo de ser duro. Talvez esquecesse que é apenas uma criança. É reflexivo quando fala da foto que enquadra juntos sapatos e pratos sujos. A mãe morre queimada. Fica sem vontade. Mas recupera-se e vai para Amsterdã, representando seu país. Na conversa com as outras oito crianças, de diversas partes do mundo, demonstra sensibilidade ao analisar fotografias. Do grupo, é um dos poucos que seguem os estudos, por obstinação, queria ser médico. ‘’Fotografar... é colocar na mesma linha de mira... A cabeça, o olho e o coração’’, conceita Cartier-Bresson. Esses meninos e meninas fazem exatamente isso, mesmo sem a técnica fotográfica, batem fotos emocionais, emocionantes.
Para quem não teve a oportunidade de assistir, o documentário é tocante, e atribui novos conceitos e valores sobre criança, fotografia e a vida, em seus 85 minutos.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Criança no Cinema: Outubro no CINEFA7
Neste mês de outubro o CineFa7 traz uma temática que desperta o interesse e a curiosidade sobre o universo e o imaginário infantil. Através das quatro exibições atravessaremos pelos elementos cinematográficos que trazem à tona a criança que há em cada um. Não serão apenas reflexões, mas uma tentativa de perpassar por tudo aquilo que a criança vivencia em suas comunidades, muitas vezes sem condições de dar aquilo que toda pequeno tem direto.
Nascidos em Bordéis pode parecer um título engraçado , mas para quem vive essa realidade, o mundo pode ser bem mais duro e cruel, nesse documentário que concorreu ao Oscar, a fotografia é um aliado para desvendarmos suas dores e percepções. Não se fala em criança sem se falar de animação. Como um gênero bem definido ganhou um festival que já é reconhecido internacionalmente, o Anima Mundi, ao qual vamos dedicar uma de nossas sessões. Ser e Ter nos faz ir à França para falar de pedagogia. A relação do professor com o desenvolvimento do aluno e do homem, compõe uma responsabilidade ética da qual os docentes não podem abrir mão. Os anos de chumbo do Brasil conviveram com a alegria da conquista do Tri-campeonato mundial de futebol no México. No aclamado O ano em que meus pais saíram de férias vamos viver com Mauro, de doze anos, a idílica viagem de seus pais e a convivência com o vizinho do seu avô, e dividir a tristeza da distância dos pais e as alegrias dos gols de Pelé em 1970.
Compareça ao mês da criança do CINEFA7 e faça uma viagem, através do cinema, pelos anos em que víamos o mundo com outro olhar.








